Desço a rua num passo apressado (o costume, ultimamente). O toque de entrada na escola da menina pequena está quase, quase a estalar. Pede-me que abrande. Seguimos lestas mas menos afogueadas. Chegamos em cima do toque. Sorriso trocado e cúmplice de quem ganha pequenas coisas: um segundo. Tomo café e regresso a casa. Começo a subir a rua e à minha frente seguem dois homens com um vagar inesperado na cidade. Um idoso outro mais jovem. O jovem tem a tarefa matinal de varrer as ruas - deve ter uma modernaça designação de Técnico de higiene urbana em pequena escala, ou qualquer outra coisa parecida - o velho deve estar reformado e saltou da cama cedo para ver o sol nascer - na velhice não precisamos de dormir tanto, dizem. Seguem lado a lado em conversa calma. O jovem, de vassoura na mão, empurra um contentor sobre rodas e diz ao velho "agora tenho de virar aqui" fazendo menção de se despedir do companheiro de rua. O velho, de mãos nos bolsos, ainda hesita mas acaba por decidir "vou contigo e faço-te companhia até lá adiante". Dou-me conta de que abrandei o passo, perdida e achada naquela conversa banal, e fico a pensar nestes encontros improváveis em meio urbano. Mas digo-vos que não tinham nem um semblante carregado nem pareciam transportar solidões varridas na rua. Apenas conversavam como dois amigos ao sol da cidade que hoje nos saúda quente a aconchegante. Hoje olho a cidade com olhos de trazer por casa, com o bairro como horizonte.
4 Pós alheios:
:)
Seja bem (re)aparecido ;-)
Passo por cá duas vezes por dia ;)
»Hoje, olho a cidade com olhos de trazer por casa»:)
A cidade que nos dá tanto a ver .
um abraço
_JRMARTO
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